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Neto das modas de viola de tema caipira, cuja época dourada ocorreu entre os anos 1930 e 1950, o sertanejo universitário tem arrastado jovens a shows e casas noturnas, fazendo a alegria das gravadoras. A Som Livre, por exemplo, tem quinze desses artistas em seu portfólio e vendeu meio milhão de discos nos últimos doze meses. O ritmo atual quase não traz mais no DNA a herança caipira (ainda que influenciada pelo country e pela música romântica) dos antecessores, como Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó. Tem um andamento mais acelerado, percussão incrementada e guitarras bem mais barulhentas. Ou seja: trilha sonora para pular e paquerar. Jovens da classe média alta, que chegam de carrão importado à noitada e gastam centenas de reais entre o ingresso e as bebidas, aprovaram. E o brega virou pop.

O
analista financeiro Felipe Marangoni, com Gabriella Fellazut: aulas para não
fazer feio na pista
São expoentes desse estilo Victor & Leo, Fernando
& Sorocaba e Jorge & Mateus. Raro artista em carreira-solo num
universo famoso pelas duplas, Luan Santana tem no repertório um hit
chamado ‘Meteoro’ — uma metáfora de sua ascensão.
Aos 19 anos, o sul-mato-grossense faz 25 shows
mensais. Já vendeu 120 000 DVDs e 180 000 CDs. Seu
aparato é transportado por duas carretas e dois ônibus. Enquanto isso, ele segue
de jatinho Brasil afora. Em dezembro, Luan anima um cruzeiro marítimo, coisa de
artistas tarimbados como Roberto Carlos. Dois anos atrás, as cifras eram menos
impressionantes. O músico saiu de Campo Grande, sua cidade
natal, para tocar num palco secundário na Festa do Peão de Boiadeiro de
Barretos. Investiu 3 000 reais na empreitada e distribuiu 3 000
CDs na ocasião. Em agosto deste ano, voltaria ao evento com um
cachê de 300 000 reais. “A primeira coisa que passou na minha
cabeça foi: ‘Como antes não conheciam as minhas músicas e, dois anos depois, 200
000 pessoas cantavam junto comigo?’ ”, diz
Luan.
O sertanejo universitário tem se mostrado um ótimo
negócio para as casas de shows. “Não chega a ser como o público de jazz
e blues, que toma muito uísque e prosecco, mas a plateia consome mais do que a
de rock”, calcula Elvis Patez, programador artístico do HSBC
Brasil, local que abrigou quinze eventos do gênero, entre fechados e
com venda de ingressos, em 2009 e 2010. A média de ocupação desse tipo de
espetáculo ali ficou entre 80% e 100%. “No dia do Luan Santana, a fila se formou
24 horas antes”, lembra. “Quero inserir mais sertanejo universitário na
programação de 2011”, afirma Sueli Almeida, diretora artística do Via Funchal,
que, neste ano, sediou três espetáculos de Chitãozinho & Xororó —
dois deles com os novatos.
A dupla Chitãozinho & Xororó recebe Victor & Leo no
Via Funchal:
encontro de
gerações
Esse
mesmo público que se amontoa em grandes shows também lota baladas do gênero
durante toda a semana em São Paulo.
Estudante Gabrielle Huese,
no Villa Country
Fotos desta matéria:
Luan Santana:
Divulgação
Outras: Fernando Moraes
Fonte: Veja SP por
Ivo Dubra e Renata Sagradi